Vida Tão Estranha
sábado, 30 de outubro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Quero, desejo, sonho com a mudança
Sento-me à secretária e ponho a mão nas minhas memórias.
Por vezes, tenho saudades da minha infância, da vida simples de uma criança. Enquanto crescemos não nos preocupamos com o que o futuro nos reserva. Vivemos simplesmente. Brincamos sem pensar. E o tempo voa, corre, foge. E um dia acordamos e olhamos para trás e apenas um sentimento nítido enrolado em vários ilegíveis se sobressai naquele vasto remoinho: saudade. E com ela a tristeza vem.
A infância já passou e a adolescência está à porta, com um pé dentro e outro fora. E, ao mínimo descuido, ela vai sem dar conta. Esta ideia assusta-me mas a vida é assim, uma constante mudança.
E eu quero, desejo, sonho com a mudança. Quero conhecer tudo, aproveitar cada oportunidade, viver intensamente, mas acima de tudo, crescer como pessoa. Mas isso não significa que não tenha crescido. Significa que preciso de enfrentar novos desafios, reagir de diferentes formas e ser capaz de encará-los com outro olhar.
O Secundário, cheio de recordações, está agora para lá das colinas e a Universidade espreita pela janela entreaberta, que depressa refresca o lar da minha alma, sedenta de alegria.
Levanto-me da cadeira e vejo a lua lá no alto a brilhar. Tal como ela, um dia também vou brilhar de felicidade, de ter conseguido tudo o que sempre desejei, de ter vivido intensamente tudo o que sempre quis, bem lá no alto.
sábado, 31 de julho de 2010
Loucura
Confusão.
A cabeça gira sem parar, coitada.
Um turbilhão de pensamentos atropelam-se num espaço desfocado,
Sem cor, sem luz,
Sem som, sem cheiro
Sem espaço, sem nada.
Ou talvez o espaço seja infinito e eu não perceba a realidade porque estou demasiado espartilhada.
Sinto-me cansada...
O meu espírito remexe-se com o vento que na rua não há.
Loucura.
Chiu... não consigo parar.
Pára. Tenta parar.
Dói-me a cabeça de pensar.
As perguntas surgem-me,
As respostas escondem-se,
As imagens do passado sobrepõem-se em simultâneo na tela da minha visão.
Fechados os meus olhos tudo vêem e nada esquecem:
Um movimento brusco, um gesto abafado
Um externo frenesi sentido, um grito dado
E gemidos ensopados em lágrimas, suor e dor.
Parem!
Eu quero esquecer,
Não quero chorar, quero parar.
Não consigo...
Dói-me a alma de cansaço,
De não encontrar saída,
De medo ao fracasso.
Eu quero ajudar mas...
Refugio-me no meu quarto, na minha cama, no meu espaço, enrolada em memórias e lágrimas.
Vejo uma figura outrora inquebrável,
Segura, rígida e intocável.
Tem uma máscara que esconde e não mostra.
Eu sentia mas não contestava.
Porque sempre tudo fora assim, escondido e não falado
Como uma lei dogmática,
Algo inquestionável.
Choro...
A máscara caiu, a estátua desmoronou-se, o império ruiu...
Agora vejo algo amedrontado, desvairado, sem controlo,
Caído no chão, sem força, sem garra, sem voz,
Que mostra o que sente e arrepende-se.
Eu sei.
Mas agora é tarde.
Tarde para ele,
Tarde para o mundo que dorme um sono profundo
E descansa.
Não ouço nada.
Silêncio ensurdecedor.
Desespero.
Não posso fazer nada,
Simplesmente assisto,
Pois sou uma espectadora do lar e do mundo,
Sou como um peixe enleado na rede do tempo,
Que repleta de problemas, sem ar e espaço, asfixio lentamente.
Divago...
Tento dormir.