sábado, 31 de julho de 2010

Loucura

Confusão.

A cabeça gira sem parar, coitada.

Um turbilhão de pensamentos atropelam-se num espaço desfocado,

Sem cor, sem luz,

Sem som, sem cheiro

Sem espaço, sem nada.

Ou talvez o espaço seja infinito e eu não perceba a realidade porque estou demasiado espartilhada.

Sinto-me cansada...


O meu espírito remexe-se com o vento que na rua não há.

Loucura.

Chiu... não consigo parar.

Pára. Tenta parar.

Dói-me a cabeça de pensar.


As perguntas surgem-me,

As respostas escondem-se,

As imagens do passado sobrepõem-se em simultâneo na tela da minha visão.

Fechados os meus olhos tudo vêem e nada esquecem:

Um movimento brusco, um gesto abafado

Um externo frenesi sentido, um grito dado

E gemidos ensopados em lágrimas, suor e dor.


Parem!


Eu quero esquecer,

Não quero chorar, quero parar.

Não consigo...

Dói-me a alma de cansaço,

De não encontrar saída,

De medo ao fracasso.

Eu quero ajudar mas...


Refugio-me no meu quarto, na minha cama, no meu espaço, enrolada em memórias e lágrimas.

Vejo uma figura outrora inquebrável,

Segura, rígida e intocável.

Tem uma máscara que esconde e não mostra.

Eu sentia mas não contestava.

Porque sempre tudo fora assim, escondido e não falado

Como uma lei dogmática,

Algo inquestionável.

Choro...


A máscara caiu, a estátua desmoronou-se, o império ruiu...

Agora vejo algo amedrontado, desvairado, sem controlo,

Caído no chão, sem força, sem garra, sem voz,

Que mostra o que sente e arrepende-se.

Eu sei.


Mas agora é tarde.

Tarde para ele,

Tarde para o mundo que dorme um sono profundo

E descansa.

Não ouço nada.

Silêncio ensurdecedor.

Desespero.


Não posso fazer nada,

Simplesmente assisto,

Pois sou uma espectadora do lar e do mundo,

Sou como um peixe enleado na rede do tempo,

Que repleta de problemas, sem ar e espaço, asfixio lentamente. 

Divago... 

Tento dormir.