Confusão.
A cabeça gira sem parar, coitada.
Um turbilhão de pensamentos atropelam-se num espaço desfocado,
Sem cor, sem luz,
Sem som, sem cheiro
Sem espaço, sem nada.
Ou talvez o espaço seja infinito e eu não perceba a realidade porque estou demasiado espartilhada.
Sinto-me cansada...
O meu espírito remexe-se com o vento que na rua não há.
Loucura.
Chiu... não consigo parar.
Pára. Tenta parar.
Dói-me a cabeça de pensar.
As perguntas surgem-me,
As respostas escondem-se,
As imagens do passado sobrepõem-se em simultâneo na tela da minha visão.
Fechados os meus olhos tudo vêem e nada esquecem:
Um movimento brusco, um gesto abafado
Um externo frenesi sentido, um grito dado
E gemidos ensopados em lágrimas, suor e dor.
Parem!
Eu quero esquecer,
Não quero chorar, quero parar.
Não consigo...
Dói-me a alma de cansaço,
De não encontrar saída,
De medo ao fracasso.
Eu quero ajudar mas...
Refugio-me no meu quarto, na minha cama, no meu espaço, enrolada em memórias e lágrimas.
Vejo uma figura outrora inquebrável,
Segura, rígida e intocável.
Tem uma máscara que esconde e não mostra.
Eu sentia mas não contestava.
Porque sempre tudo fora assim, escondido e não falado
Como uma lei dogmática,
Algo inquestionável.
Choro...
A máscara caiu, a estátua desmoronou-se, o império ruiu...
Agora vejo algo amedrontado, desvairado, sem controlo,
Caído no chão, sem força, sem garra, sem voz,
Que mostra o que sente e arrepende-se.
Eu sei.
Mas agora é tarde.
Tarde para ele,
Tarde para o mundo que dorme um sono profundo
E descansa.
Não ouço nada.
Silêncio ensurdecedor.
Desespero.
Não posso fazer nada,
Simplesmente assisto,
Pois sou uma espectadora do lar e do mundo,
Sou como um peixe enleado na rede do tempo,
Que repleta de problemas, sem ar e espaço, asfixio lentamente.
Divago...
Tento dormir.
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